sexta-feira, 22 de novembro de 2013
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[RESENHA] O Diário de Anne Frank - Anne Frank


Lido em: Outubro/2013
Título: O Diário de Anne Frank
Autor: Anne Frank 
Edição definitiva por Otto H. Frank e Mirjam Pressler
Editora: BestBolso
Categoria:  Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias
Ano: 2013
Páginas: 373
ISBN: 9788577990009
Ótimo!
Sinopse: 12 de junho de 1942 - 1° de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de muitos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente seguiu para Auschwitz e mais tarde para Bergen-Belsen.

Biografia: Anneliese Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank, (Frankfurt, 12 de Junho de 1929 — Bergen-Belsen, início de Março de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, que morreu aos 15 anos no campo de concentração nazista de Bergen Belsen, na Alemanha. Seu diário foi publicado pela primeira vez em 1947 e é atualmente um dos livros mais lidos em todo mundo.

Quando a ideia de fazer o blog se concretizou, comecei a pensar em qual seria a minha primeira resenha. Estava em dúvida se faria de algum livro que tivesse lido este ano e gostado, ou se faria do livro que estava lendo no momento, O Diário de Anne Frank.
Conforme fui avançando na leitura, fui me envolvendo e acabei me decidindo por ele.
Anne começa a escrever em seu diário, que ela chama de Kitty, quando se refugia em um porão, chamado de Anexo Secreto, fugindo de Hitler e toda a perseguição aos judeus. Este era o único instrumento de liberdade que ela possuía.


“(...) Tenho vontade de escrever e uma necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito. ‘O papel tem mais paciência do que as pessoas.’” Pág 18
“(...) Tenho minhas próprias ideias, meus planos e ideais, mas ainda não consigo verbaliza-los. Pois é. Tanta coisa me passa pela cabeça à noite, quando estou sozinha, ou durante o dia, quando sou obrigada a estar perto de gente que não suporto ou que sempre interpreta mal minhas intenções! É por isso que sempre termino voltando ao meu diário – começo nele e termino nele, porque Kitty é sempre paciente. Prometo a ela que, apesar de tudo, vou em frente, vou encontrar o meu caminho e refrear as lágrimas. Só gostaria de ver alguns resultados ou, pelo menos uma vez, receber incentivo de alguém que me ama.
Não me condene, mas pense em mim como uma pessoa que às vezes chega a ponto de explodir!” Pág. 163 / 164

 Em seu diário, relata por dois anos, o cotidiano de oito judeus no Anexo Secreto, as transformações sofridas por todos os que ali se refugiaram e a agonia daqueles dias.

“(...) acho estranho os adultos discutirem tão facilmente e com tanta frequência sobre coisas tão mesquinhas.” Pág. 59
“(...)Uma boa gargalhada ajudaria mais do que dez gotas de valeriana, mas quase esquecemos aqui como se gargalha.” Pág. 156

Emocionante, tenso, engraçado, triste e real. Anne consegue transmitir toda a agonia que estavam vivendo, sem saber quando seriam libertos, e o mais importante, SE seriam libertos. Mas, apesar de todo o caos, a menina que se tornou mulher, apesar da pouca idade, nunca deixou de ter esperança, de fazer planos e tecer sonhos.  

 “Como posso me sentir triste enquanto isso existir, pensei, esta luz e este céu sem nuvens, e enquanto eu puder desfrutar essas coisas?” Pág. 222
 “(...) eu sempre reclamava de não conseguir desenhar, mas agora me sinto felicíssima por saber escrever.  E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais do que isso. Não consigo me imaginar vivendo como mamãe, a Sra. Van Daan e todas as mulheres que fazem o seu trabalho e depois são esquecidas. Preciso ter alguma coisa além de um marido e de filhos aos quais me dedicar! Não quero que minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas.
(...) Quero continuar vivendo depois da morte” Pág. 279
“(...) Sou abençoada com tantas coisas: felicidade, alegria e força. A cada dia me sinto amadurecendo, sinto a libertação se aproximar, sinto a beleza da natureza e a bondade das pessoas ao redor. A cada dia penso em como essa aventura é fascinante e divertida! Com tudo isso, por que deveria me desesperar?” Pág. 312

É notável o amadurecimento dela do início para o final do livro, porém ao mesmo tempo, a ingenuidade nunca deixou de estar presente em seu coração.
“(...) Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser. “ Pág. 90
“Sei que estou longe de ser o que deveria; será que algum dia serei?
(...)Você pode me dizer por que as pessoas se esforçam tanto para esconder seu eu verdadeiro?” Pág 194
“Desejos, pensamentos, acusações e censuras giram em minha cabeça. Na verdade não sou tão convencida como muita gente acha; conheço minhas falhas e meus defeitos melhor do que qualquer pessoa, mas há uma diferença: também sei o que quero modificar, o que vou modificar e o que já modifiquei bastante!” Pág. 347

Anne escreve com clareza sobre as aflições, os questionamentos, as dúvidas, a descoberta do amor... Além das atrocidades que os judeus sofreram na Segunda Guerra Mundial.

“(...) Sempre que ele me olha com aqueles olhos, com aquele sorriso quando pisca, é como se uma luz se acendesse dentro de mim. Espero que as coisas continuem assim e que tenhamos muitas, muitas horas felizes, juntos.” Pág. 254
“A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.” Pág. 265

É incrível o poder de reflexão que este livro causa. Sabe quando você termina de ler um livro e fica um tempo pensando, absorvendo tudo o que acabou de ler? Acredito que este é um livro que todos deveriam ler.
A forma e clareza como ela escreve e descreve as situações, foi algo que me impressionou muito. Quem sabe algum dia eu consiga escrever como ela, por enquanto esta é só a minha primeira resenha. =)

“Fizeram questão de lembrar que somos judeus acorrentados, acorrentados num lugar, sem qualquer direito, mas com mil deveres. Devemos colocar os sentimentos de lado; devemos ser corajosos e fortes, suportar o desconforto sem reclamar, fazer o máximo possível e confiar em Deus. Algum dia essa guerra terrível vai terminar. Chegará a hora em que seremos gente de novo, e não somente  judeus!
Quem fez isso contra nós? Quem nos separou de todo o resto? Quem nos colocou neste sofrimento? É Deus que nos fez do jeito que somos, mas também é Deus que irá nos erquer no fim. Aos olhos do mundo, estamos condenados, mas se depois de todo esse sofrimento ainda sobrarem judeus, o povo judeu servirá de exemplo. Quem sabe, talvez nossa religião ensine ao mundo e às pessoas o que é a bondade, e talvez esse seja o único motivo do nosso sofrimento. Nunca poderemos ser apenas holandeses, ou ingleses, ou de qualquer outra nacionalidade, seremos sempre judeus. E teremos de continuar sendo judeus, mas, afinal, vamos querer ser.
Ser corajosos! Vamos lembrar nossos deveres e realiza-los sem reclamar. Haverá uma saída. Deus nunca abandona seu povo. Ao longo das eras, os judeus sofreram, mas continuaram vivendo, e os séculos de sofrimento só os tornaram amis fortes. Os fracos cairão, e os fortes sobreviverão e não serão derrotados!” Pág. 291

Existem vários filmes baseados no Diário, abaixo você pode conferir o trailer de um deles:



Museu Casa de Anne Frank
Hoje em dia, os quartos na Casa de Anne Frank, embora vazios, ainda respiram a atmosfera sentida neste período de tempo. Citações do seu diário, documentos históricos, fotografias, pequenos filmes e objetos originais que pertenceram aqueles que se encontravam escondidos e às pessoas que os ajudavam ilustram os eventos que decorrem neste lugar. O diário original de Anne Frank e outros apontamentos encontram-se disponíveis para serem vistos no museu. No espaço multimídia, os visitantes podem entrar numa "viagem virtual" pela Casa de Anne Frank, obtendo informação sobre as pessoas que se encontravam escondidas e sobre a Segunda Guerra Mundial
Site oficial do museu: http://www.annefrank.org/en/


O diário original





Espero que tenham gostado.
Beijos e até a próxima. =)

19 comentários:

  1. Esse é um dos livros que eu mais tenho vontade e curiosidade de ler. Quem leu fala muito bem e eu já vi tantas citações do livro que me deixaram com mais vontade ainda de conferir.

    Curti muito a resenha!

    Beijos.
    http://viciosemtres.blogspot.com.br/

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    1. Super recomendo, Fernanda!
      Leia que vc vai gostar!
      beijos

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  2. Oi Aline

    Esse foi um dos primeiros livros que eu ja li na época que eu era adolescente ainda e realmente é maravilhoso mesmo amei sua resenha muito rica em detalhes isso foi D+, parabéns mesmo!

    Agora fiquei com vontade de reler também esse livro maravilhoso, eu amo biografias e história baseadas em fatos reais isso só deixa a história ainda mais rica :)

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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    1. Que bom que gostou! =)
      Esse livro realmente merece ser lido mais vezes.. é sensacional!
      beijos

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  3. Tenho muita vontade de ler esse livro, mas acabo nunca lendo. Espero ler em breve.
    Adorei o blog e adorei a resenha, ficou ótima! Seguindo o blog e voltarei aqui mais vezes para conferir as novidades :)
    Beijos.
    http://gotas-de-fogo.blogspot.com.br/

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  4. Esse livro parece ser bom, já escutei muitas pessoas falaram bem dele.
    To te seguindo no Blog.

    http://momentocrivelli.blogspot.com.br/

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    1. Oi Denise,
      To te seguindo tbm, com o meu perfil pessoal e o do blog. E curtindo tbm!
      beijos

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  5. É muito triste a historia dela eu quase chorei quando li.
    Eu queria agradecer por você seguir meu blog e também já estou seguindo o seu.

    http://fonte-da-leitura.blogspot.com.br/

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    1. Sim, muito triste mesmo.
      E não precisa agradecer!
      Sorte e sucesso pra nós!
      beijos

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  6. Sempre tive vontade de ler esse livro, apesar de triste ele me deixa super curiosa. A história é linda e seria como uma aula de história! Muito bacana!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Gabriela,
      Se tiver a oportunidade, leia!
      Vale a pena!
      beijos

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  7. Não vejo a hora de comprar esse livro, todo mundo fala muito bem dele.

    Att. Guilherme
    www.livrovsspoilers.com

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    1. Vc vai gostar bastante, Guilherme. É muito bom!
      Obrigada pela visita!

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  8. Eu li o livro há uns bons anos... É daquele tipo que quando você acaba parece que levaram parte da sua vida embora, e que tudo ficou cinza.
    Hoje consigo ler com uma visão diferente, mas ainda sensibiliza de forma intensa e geralmente me faz chorar.


    Ana Flávia - ♛ Queen Reader
    http://booksandcrowns.blogspot.com.br/

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    1. Exatamente, falou tudo, Ana!
      Foi assim mesmo que me senti, parecendo que tinham levado uma parte de mim...
      beijos

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  9. Aline, muito obrigada pela visita no Meu Livro na Bolsa.
    Vi esse post e me chamou atenção pois já li o livro (apesar de ter demorado mais de dois meses para termina-lo, kkk). A história é triste , ainda mais quando vc pensa que aquilo tudo realmente aconteceu. Mas vale a pena conhecer pois damos mais valor a vida que temos. É uma parte da história que deve ser conhecida por todos. Adorei as fotos reais, sempre imaginei como seria a entrada para o anexo secreto.

    Bjs e muito sucesso para o blog, já estou te seguindo para acompanhar as novidades.

    http://meulivronabolsa.blogspot.com.br

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    1. Pois é, Bruna. As vezes é bom lermos histórias assim, para valorizarmos nossa vida.
      Essa é muito triste, e dá uma dor no coração pensar que aconteceu...
      Agradeço pela visita!
      beijos

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  10. Oi Li!
    Eu não tinha a mínima ideia de que este livro teria partes engraçadas, sério.
    Eu gosto muito de livros com temas de guerras essas coisas, principalmente de O menino do pijama listrado, já leu?
    Não sabia que já tinha vários filmes da Anne, mas vou ver pelo menos um depois de ler. Fiquei muito curiosa com este museu, queria ter a chance de ir lá um dia e conhecer mais sobre ela e a segunda guerra. Simplesmente fantástico essa ideia do museu.
    Acho que é muito bom ler livros que nos trazem mais conhecimento, mesmo que seja um livro com tema triste, infelizmente foi a realidade da época.


    “(...) Tenho vontade de escrever e uma necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito. ‘O papel tem mais paciência do que as pessoas.’”

    Amei este quote. Falou a mais pura verdade!!
    Beijos!!
    umlugarparaleresonhar.blogspot.com

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Quem Escreve

Aline (Li), taurina, turismóloga, paulista de Ribeirão Preto, apaixonada por séries de TV e compulsiva por livros (se estiverem em promoção, então..rs). Amo ler! :)



Colaboradora

Luciana (Lu), Ribeirão-pretana, virginiana e perfeccionista. Cake Design. Danço nas horas vagas por paixão e para relaxar. Amo artesanato, praia, filmes, seriados e claro, livros!

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